terça-feira, 19 de junho de 2018

Asilo Padre Cacique completa 120 anos com a saúde financeira abalada

Banda da Exército tocou os hinos do Brasil e do Estado e fez serenata especial
Asilo Padre Cacique completa 120 anos com a saúde financeira abalada | Foto: Guilherme Almeida
Asilo Padre Cacique completa 120 anos com a saúde financeira abalada | Foto: Guilherme Almeida

  • Henrique Massaro
Responsável por atender 113 idosos em situação de vulnerabilidade social, o Asilo Padre Cacique, em Porto Alegre, atualmente também tem a sua saúde financeira abalada. A instituição completou 120 anos de criação nesta terça-feira e, para marcar a data, realizou uma comemoração junto a seus moradores. A festa contou com a presença da banda do Exército, que, além de executar o hino nacional, do Rio Grande do Sul e um “Parabéns a você” em frente a escadaria do prédio, tocou uma serenata especialmente para as mulheres internadas na emergência do local.
Apesar disso, também foi o momento de chamar a atenção para a situação econômica, já que a entidade corre o risco de ser fechada no final do ano. Para o presidente do Asilo, Edson Brozoza, o dia de ontem era especial em função dos 120 anos, não havia grandes motivos para se comemorar. O motivo é a grave crise financeira que está sendo enfrentada pelo Padre Cacique.
De acordo com ele, a própria festa contava com poucas atrações em função desse momento pelo qual passa a instituição. “Não está afastada a possibilidade de fechamento no final do ano, mas vamos viver um dia de cada vez”, comentou o presidente, que também explicou que o principal problema enfrentado é referente a folha de pagamento.
Recentemente, de acordo com Brozoza, ela chegou a ser reduzida em R$ 100 mil, mas, mesmo assim, mensalmente cerca de R$ 400 mil são gastos com pagamento. Somada aos outros custos, as despesas do Asilo Padre Cacique chegam perto dos R$ 800 mil mensais, enquanto que a arrecadação é de apenas aproximadamente R$ 390 mil. Ainda segundo o presidente, foi possível reduzir o deficit da instituição, que chegava a R$ 5,5 milhões, para R$ 3,9 milhões, mas ainda não há recursos para conseguir dar continuidade a essa diminuição.
Toda a verba da entidade é adquirida através de doações. Se vier a fechar suas portas, o Padre Cacique deixará de ser o lar de idosos que, na manhã de ontem, comemoraram mais um ano de vida de sua casa. Um deles é Wilson Capra, de 80 anos, que vive no local há quatro anos. Natural de Erechim, ele não pode ver a festa montada devido à deficiência visual que o acometeu devido a uma meningite que o acometeu quando tinha apenas 6 meses de vida, mas, escutando tudo, não tinha do que reclamar.
“Temos tudo aqui dentro. Não enxergo, mas estou muito feliz com minha vida”, comentou. Durante a cerimônia, Carmen Marins, de 84 anos, pediu para falar sobre o Asilo que é sua casa há oito meses. Natural de Santana do Livramento, ela disse que já viajou por todo o país, tendo morado inclusive em São Luís, no Maranhão, mas que o Padre Cacique, com sua estrutura e profissionais, se tornou seu lar. “Isso aqui, para mim, é um hotel cinco estrelas”, afirmou.
De acordo com informações do Asilo Padre Cacique, 150 pessoas costumam ser atendidas no local e o número atual se dá por causa da situação financeira. Cerca de 40% dos moradores não tem vínculos ativos com suas famílias. Uma das principais fontes de arrecadação é através de empresários, que podem destinar 1% do lucro trimestral ou anual aos projetos da entidade no Fundo Municipal do Idoso.
Pessoas físicas também podem doar alimentos não perecíveis, leite, café, roupas, cobertores e produtos de higiene pessoal e de limpeza. Informações podem ser obtidas pelo site da instituição ou pelo telefone (51) 3233-7571.

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